Styliagi – hipsters soviéticos dos anos 1950

Stilyagi (pronúncia mais correta em português – styliágui) foi a primeira subcultura soviética, que surgiu em URSS na década de 1950. Segunda metade dos anos 1950 foi um período marcante na história soviética – após morte do seu líder Stálin, mas antes do Nikita Khrushchev desvendar os ideais soviéticos e representar Stálin como ditador com seus objetivo reias.
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A ideologia da subcultura Styliagi foi parecida com a da subcultura inglesa mod, que teve inicio em turmas de garotos adolescentes cujas famílias eram ligadas ao comercio de tecidos em Londres. Os primeiros mods eram geralmente de classe media, obcecados pelas tendências da moda e estilos musicais, como ternos italianos bem justos, jazz moderno e rhythm and blues.

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A moda soviética de forma geral era padronizada, com cartela de cores limitada. Mulheres usavam vestidos de algodão rodados  e com a estampa de bolinha ou florzinha, ou tailleur com saia lápis e blazer reto ou levemente acinturado. O comprimento das saias e vestidos era rigorosamente abaixo do joelho, mais ou menos até metade da panturrilha, permitindo o uso de vestidos curtos apenas para meninas com idade até mais ou menos 14 anos. Homens vestiam blazers, calças retas largas, camisas retas e boinas ou chapéus. O governo induzia o visual de trabalhadores comunistas como aparência ideal: o povo igual na sua aparência e em seus direitos. Tentativas de se vestir de forma diferente, eram vistos como desejo de mostrar sua superioridade, o que era fortemente julgado. Revistas de moda do ocidente eram consideradas burguesas e possuíam o proibido conteúdo capitalista e por isso, não entravam nas bancas do país. A grande parte da população não tinha noção das tendências europeias.

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Styliagis surgiram como protesto ao sistema soviético, provocando a sociedade com seus looks coloridos interpretando o estilo ocidental. Eles normalmente pertenciam a classe media – alta, como, por exemplo, filhos de diplomatas, o que facilitava acesso às roupas trazidas do exterior. Tendo acesso ao ensino superior, eles tinham nível de conhecimento e ideias diferentes da grande parte da população. Membros do grupo com menor poder aquisitivo (a maioria) normalmente compravam suas roupas no mercado negro ou customizavam as peças do varejo. Estilo do Elvis Presley era padrão da aparência masculina e Brigitte Bardot e Marilyn Monroe da feminina.

Figurino realista do filme Styliagi, 2008

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As principais atividade de lazer eram encontros em praças, festas fechadas, acompanhadas pelo jazz e blues. Como a música americana não era vendida na União Soviética nos anos 1950, ela era procurada em estações de rádio estrangeiras e gravada em folhas – resultados de raio-X, trazidos dos laboratórios médicos.

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Como qualquer movimento que vai contra normas e padrões, os styliagis foram fortemente criticados pela sociedade e ridicularizados pela mídia. Cores vivas e estampas eram inaceitáveis para homens, enquanto as mulheres foram julgadas por causa de comprimento curto das saias e maquiagem chamativo.

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Cartaz com chamada “Alma vendida” que faz menção aos styliagis que venderam seus ideais para inimigo em troca de roupas e outras futilidades.

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Em 2008 essa subcultura foi relembrada em comédia musical Styliagi que teve enorme sucesso na Rússia. Até hoje não tem legenda em português ou tradução para inglês, mas achei dois vídeos curtinhos, que fazem parte do filme, que mostram muito bem a vida comum soviética e a transformação do herói principal de menino – membro da organização de ativistas jovens em líder dos styliagis. Por mais que os vídeos estão em russo, da para ver a reconstrução dessa época pelo diretor Valery Todorovsky.

 

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